Chamada de Trabalhos: Dossiê Temático: Organizações na dinâmica capitalista na América Latina contemporânea

Esta proposta de dossiê temático busca aproximar os estudos organizacionais e administrativos da abordagem da Economia Política na América Latina. Seu objetivo é selecionar trabalhos cujas questões abarquem o contexto e o formato das organizações latinoamericanas em sua interdependência com o desenvolvimento das forças produtivas na região. Organizações como o Estado, as unidades produtivas, comerciais e financeiras, as organizações sindicais, os movimentos sociais, por exemplo, manifestam na sua constituição as relações de produção e distribuição nas quais estão inseridas, sendo, portanto, objeto de investigações sistemáticas e distintas elaborações teóricas. A busca pelas determinações fundamentais do modo de produção capitalista permite à Economia Política aprofundar os estudos sobre a complexidade dessas relações na América Latina. A investigação das formas de apropriação da riqueza socialmente produzida passa pela análise das organizações e suas inter-relações por um prisma conjuntural, fundamentado em investigações de ordem histórica, econômica, política, social e/ou administrativa. Neste quesito, as particularidades das formações do capitalismo latinoamericano provoca uma série de inflexões e determinações sobre suas organizações, estimulando uma investigação cada vez mais criteriosa e multidisciplinar sobre estas diferenças específicas e singularidades históricas.

Nesse sentido, o objetivo do presente dossiê temático é suscitar o debate sobre as diferentes formas de organizações a partir da realidade latinoamericana contemporânea, sobretudo no que diz respeito às suas economia política e administração política.

Contemporaneamente, a América Latina atravessa um processo de crise que remonta à espiral negativa iniciada em 2008, sendo imperativo investigar as organizações nesse contexto. Estudar as organizações é um esforço científico que precisa considerar, em fundamento, os movimentos próprios da lógica interna do sistema do capital. O Estado, unidades produtivas, comerciais, financeiras, as organizações sindicais, movimentos sociais etc. são organizações que simultaneamente pressupõem existente tal sistema, como um modo de produção, e funcionam, em graus muito variados, como mediações de um impulso de administração política das contradições que o constituem.

Tal importância e pertinência dos temas levantados podem ser reconhecidas no desenvolvimento de investigações, sobretudo por parte de pesquisadores que abordam tal temática, que podem ser enquadradas sob o guarda-chuva dos estudos marxistas das organizações e da administração política, considerando inclinações ortodoxas e heterodoxas das economias marxista e keynesiana, suas articulações com as áreas dos estudos organizacionais e administrativos em suas vertentes críticas e a rica tradição do pensamento social latino-americano.

No conjunto, enfatizam-se os fundamentos econômicos, históricos e políticos da articulação entre a base econômica e a superestrutura ideológica (em que se inclui o Estado e outros complexos regulativos importantes) em que se constituem diferentes modalidades de organizações que não apenas expressam as contradições do sistema como as produz, como é o caso das grandes corporações capitalistas. Uma vez que é o modo de produção que torna as variadas organizações inteligíveis, deve-se colocar em primeiro plano a funcionalidade de tais organizações à dinâmica contraditória do sistema, tanto no que se refere, por exemplo, ao avanço das forças produtivas, quanto nas expressões regressivas, como a desigualdade social.

Considerando tais aspectos, um mote geral e possível para a chamada, sem ser com isso restritiva, é: qual a funcionalidade das organizações no movimento de produção e reprodução do capitalismo na América Latina?

Desta forma, a chamada convida estudos teóricos e teórico-empíricos, ensaios fotográficos, entrevistas, etc.  que permitam avançar os estudos organizacionais em uma aproximação consciente com a economia política e a administração política efetivadas na região, isto é, com as modalidades particulares dos países globalmente integrados de produção e distribuição da riqueza. É também oportunidade para realizar debates com as perspectivas dominantes no campo da economia das organizações, da administração pública e, igualmente, com as expressões do irracionalismo que hegemonizam as preferências intelectuais de ocasião. Algumas linhas de contribuição, considerando o foco na América Latina, e que não esgotam a totalidade de possibilidades, são:

 Linha 1: Administração, estudos organizacionais e economia política em países latinoamericanos; Estado, políticas públicas e capital na América Latina; Desigualdades, produção e distribuição;

Linha 2: Capitalismo, organizações e financeirização; Acumulação de capital, capital fictício e crises; Grandes corporações e produção destrutiva na América Latina;

Linha 3: Transformações do processo de trabalho latinoamericano; Instituições, regulação e organizações latinoamericanas; Movimentos sociais e organizações de resistência;

Linha 4: Crítica da economia política e crítica marxista da administração. Formação do capitalismo nos países latinoamericanos e pensamento social latinoamericano.

 

Submissão

A chamada está aberta para todas as seções da Revista: capas, artigos, ensaios, debates, entrevistas, resenhas, registros fotográficos ou vídeos. As contribuições devem registrar que a submissão é para "Dossiê" no próprio sistema.

Prazo
As contribuições para o dossiê temático "Organizações na dinâmica capitalista na América Latina contemporânea" se encerram impreterivelmente no dia 05 de junho de 2020 (sexta-feira).

EDITORAS E EDITORES ESPECIAIS

Henrique Almeida de Queiroz

Prof. Adjunto III – Universidade Federal de Juiz de Fora – campus Governador Valadares (UFJF-GV)

Renato Luis Pinto Miranda

Prof. Adjunto III – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)



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