Revista Brasileira de Estudos Organizacionais

 

A RBEO é um periódico publicado pela Sociedade Brasileira de Estudos Organizacionais. Nosso objetivo de contribuir para a disseminação do conhecimento no campo dos Estudos Organizacionais, estimulando o debate e a produção acadêmica inter e multidisciplinar, com vistas a um diálogo científico profícuo entre abordagens e autores de diversas áreas do conhecimento.



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Chamada de Trabalhos: O campo dos Estudos Organizacionais em Nossa América

As ciências administrativas na América Latina se constituem como um produto essencialmente exógeno que, com o passar do tempo, sofre algumas influências endógenas. O fato de que a América Latina não seja, em geral, produtora das ciências e tecnologias administrativas que consome, obviamente se relaciona com a situação que nossos países ocupam na divisão internacional do trabalho. As teorias exógenas chegaram, no passado, por quatro vias principais: a acadêmica, por meio de programas de intercâmbio científico; os processos de reforma da administração pública pelos quais alguns governos da região começaram, nos anos 1930, a modernizar-se com base na influência das agências de apoio ao desenvolvimento com matriz nos Estados Unidos; as missões de assistência técnica compostas por especialistas norte-americanos, tão frequentes nos anos 1950 e 1960; e a ação das empresas multinacionais que, ao instalarse em nossos países, trazem para suas subsidiárias ideias e tecnologias concebidas em seus países de origem que, rapidamente, se expandem também para as empresas de base nacional, para as sociedades de economia mista e para as empresas estatais (WAHRLICH, 1979).

A emergência das Teorias Organizacionais (TOs), segundo Prestes Motta (2001, p. v), se desenvolve a partir do final da Segunda Guerra Mundial: “a teoria das organizações é fruta da mutação da teoria da administração, a partir da evolução da sociologia, ciência política e psicologia social norte-americanas. Como campo de conhecimento instrumental, e também como visão de mundo, a teoria organizacional reflete o poder crescente da elite tecnoburocrática nos países de capitalismo monopolista de Estado”.

Ou seja, há uma simultaneidade histórica entre a transposição da administração, desde sua matriz norte-americana, para nossa região e o início do desenvolvimento das TOs convencionais, nos termos do mesmo Prestes Motta (2001). É evidente que a entrada deste
conjunto teórico foi o mesmo das teorias administrativas e da administração como prática. Se inicia, assim, uma trajetória marcada, ainda hoje, pela importação acrítica de conhecimento e pela pouca consideração de sua pertinência para os problemas organizacionais que enfrentamos (IBARRA-COLADO, 2012). Esses são fatos históricos com os quais temos que conviver. O problema está em tomar uma marca de nascimento como uma determinação de destino, uma fatalidade, um curso natural que nos conduz e pelo qual nos deixamos conduzir com naturalidade. Se trata, portanto, de problematizar os condicionantes que nos induzem à reprodução e à subordinação.

Neste contexto, é preciso destacar o esforço para mudar este cenário e a organização de espaços de colaboração nacional e entre países. Parte deste esforço é realizado pela Red de Posgrados de Investigación Latinos en Administración y Estudios Organizacionales (Red Pilares), pela Red Mexicana de Investigadores en Estudios Organizacionales (REMINEO) e pela Sociedade Brasileira de Estudos Organizacionais (SBEO). Como parte de suas atividades, estas três organizações se articularam com o objetivo de potencializar seu trabalho e contribuir para o desenvolvimento dos Estudos Organizacionais (EOs) em Nossa América. Esta chamada de trabalhos é parte dos objetivos pactuados entre essas organizações e expressa a necessidade de compartilharmos as distintas abordagens e definições do que são os Estudos Organizacionais e o conhecimento que produzimos.

Nesse sentido, e de maneira apenas indicativa, esperamos contribuições que incluam trabalhos relacionados com:

  •  Ontologia e epistemologia nos Eos.
  • Enfoques metodológicos nos Eos.
  • Práticas de ensino de Teorias Organizacionais.
  •  A relação entre EOs e crise ambiental.
  •  Os EOs no cenário contemporâneo de multiplicidade de crises e conflitos relacionados, entre outros aspectos, com a corrupção, a crescente pobreza, a criminalidade, a precarização das relações de trabalho, os déficits de participação da população, a intensificação nos processos de gentrificação, os fluxos migratórios.
  •  Contribuições do Pensamento Social de Nossa América para os EOs.
  •  Relação entre EOs e Administração Pública.
  • Apropriação do conhecimento produzido nos países centrais para o estudo do fenômeno organizacional em nosso contexto de prática.
  •  A crítica nos EOs.
  • Potencialidades dos EOs para o estudo de movimentos e lutas sociais.
  • Os EOs na análise de problemáticas territoriais.

Referências

IBARRA-COLADO, Eduardo. Como comprender y transformar los Estudios Organizacionales desde América Latina y no morir en el intento. In: MARTINEZ, A. et al. (Orgs). Apropriación social del conocimiento y aprendizaje: una mirada crítica desde diferentes ámbitos. Madrid: Plaza y Valdés, 2012. p. 17-37.
PRESTES MOTTA, Fernando C. Teoria das organizações: evolução e crítica. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. WAHRLICH, Beatriz de S. Evolução das ciências administrativas na América Latina. Revista de Administração Pública, v. 13, n. 1, p. 31-68, 1979.

Sobre os Editores

Guillermo Ramirez Martínez - Professor Pesquisador da Universidad Autónoma Metropolitana Iztapalapa (México); Coordenador da Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado) em Estudos Organizacionais na Universidad Autónoma MetropolitanaIztapalapa; Presidente da Red Méxicana de Investigadores en Estudios Organizacionales (REMINEO); Membro do Sistema Nacional de Investigadores, México. Contato: tonala86@hotmail.com

Maria Ceci Misoczky – Docente e pesquisadora da Escola de Administracão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil) e de seu Programa de PósGraduação; Coordenadora do Grupo de Pesquisa Organização e Práxis Libertadora; Membro del Conselho Fiscal da Sociedade Brasileira de Estudos Organizacionaiss; CoChair do Critical Management Studies Internacional Board. Contato: maria.ceci@ufrgs.br

Rodrigo Muñoz Grisales - Docente e investigador da Escola de Administracão da Universidade EAFIT, Medellín (Colômbia); Membro do Grupo de Pesquisa Organização e Administração na Colômbia; Diretor da Red de Posgrados de Investigación Latinos en Administración y Estudios Organizacionales (Red Pilares). Contato: romunoz@eafit.edu.co



eISSN: 2447-4851

DOI: 10.21583 


v. 4, n. 1 (2017): JUNHO


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